Joana Neves Teixeira. Ph.D Candidate Oxford University

No último dia do seminário presencial em Belém, já com uma lista de inúmeros temas que tinham me chamado a atenção para o ensaio de blog, me deparei com o mapa acima em nossa visita ao Instituto Histórico e Geográfico do Pará, que imediatamente me fascinou.
O Instituto – um belo museu com temáticas variadas desde as famílias aristocráticas residentes no antigo solar, cerâmicas de cunho alimentar de várias matrizes culturais, e cultura popular de Belém, – abriga o mapa de meados do século XIX em sua escadaria, ao lado de uma das entradas para o segundo andar.
Uma participante do seminário me mostrou o mapa, estando ela curiosa ao ver os nomes de aldeamentos missionários na volta grande do Xingú representados nele.
O que me chamou a atenção, no entanto, foi a presença de Poiares no mapa de 1850. Localizada no médio Rio Negro, a povoação colonial fora “uma das mais prósperas povoações da capitania” em meados do século XVIII, apesar de sua reputação rebelde de “cabeça de mocambo”, conforme descrita pelo governador do Grão Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, devido em parte a suas fortes alianças com lideranças indígenas autóctones (Sampaio, p.74). No entanto, conforme nos conta Patrícia Sampaio, a população desta localidade desaparece muito antes da composição do mapa de 1850 (Sampaio, p.95). Sua presença na Carta Topographica constitui, portanto, um irônico contraste com a legenda da Carta, que descreve o uso dos “documentos mais modernos” (Villiers, s.p.).
Outrora conhecida como missão carmelita de Santo Ângelo de Cumaru, fundada no início dos setecentos, Poiares teve seu apogeu no período Pombalino, com 570 habitantes em 1775, a maioria deles indígenas Manaus, Barés e Passés do Japurá (Sampaio, pp.74-5, 84-86). A povoação colonial se sustentava principalmente através da agricultura e do comércio em produtos do interior amazônico (Sampaio, p.79, 85). O escoamento desses produtos era facilitado pela proximidade com a capital da capitania de São José de Rio Negro, Barcelos, a sete léguas, que constituía uma importante fonte de investimento para Poiares (Sampaio, p.85, 96). Devastada por epidemias de sarampo, violentas apreensões de indígenas para trabalhos forçados (agarrações reais e militares), abusos de autoridade dos governadores, e finalmente, o deslocamento da capital da capitania, a população de Poiares se reduzira em mais de um terço entre 1775 a 1786 (Ibid, pp.86, 89, 93). Até os anos 1830, os habitantes de Poiares haviam se dispersado e, por fim, se relocado às proximidades de Manaus (Sampaio, p.75). Já em 1823, o padre José Maria Coelho descreve uma Poiares em ruínas, que outrora vila de “830 fogos e 1500 arcos ou homens capaz pela guerra,” agora não passava de “9 casas caídas” cujos poucos habitantes residiam em sítios distantes (Sampaio, p.95). Em 1834, Poiares perde a categoria de freguesia, encerrando sua existência oficial e necessitando a incorporação de sua população em outra freguesia (Ibid, p.96). Entre 1834 e 1835, a população remanescente de Poiares faz a longa jornada até um novo local, entre Manaus e o rio Jaú; por algum tempo, eles mantiveram a denominação de Poiares antes de se renomearem Tauapessassu (atualmente, Novo Airão). (Sampaio 96-7).
Um interessado em selos, em seu blog, utilizou o mapa como base para encontrar selos e remarcar sobre a presença dos correios na Amazônia oitocentista e, não surpreendentemente, Poiares não está inclusa nas vilas estudadas (Monteiro, s.p.). Não há nem selos oitocentistas para a vila fantasma.
Poiares, portanto, nos abre as portas para interrogar os famosos mapas de Villiers, frequentemente citados em estudos de urbanização no século XIX mas cujo contexto de produção levanta inúmeras questões sobre a lógica imperial (“imperial common sense”, nas palavras de Ann Stohler) eternizadas nas cartas topográficas produzidas na capital carioca (Stohler, p.19). Haveria o visconde, ou seus engenheiros, visitado a província? O que levou a presença de Poiares na Carta? Quais “documentos mais modernos” seriam estes? Quantas outras vilas coloniais, dependentes na presença estatal para sua fixação, mas inseridas num regime de mobilidade Amazônica (conforme argumentam Heather Roller e Patrícia Sampaio), foram estabilizadas artificialmente no mapa do Visconde de Villiers?
Encontrei pouca informação sobre o autor do mapa, apesar do seu título de nobreza. Independente de ser ele um nobre da corte carioca ou um naturalista francês, o signatário deste mapa exemplifica um ímpeto cartográfico oitocentista que permeou numerosas expedições nacionais e internacionais adentrando o interior do continente americano. Essas expedições frequentemente tinham ímpetos nacionalistas de reconhecimento e ocupação territorial, sujeição violenta de populações indígenas, e o reconhecimento internacional de fronteiras Latino-Americanas em ebulição, apesar de se justificarem pela busca de conhecimento geobotânico e científico de forma mais ampla (Ketabi, s.p.). Dito isso, não se sabe se o próprio Villiers sequer passou pela região norte, muito menos seus engenheiros.
A carta faz parte de uma série de 15 mapas representando as províncias do império, datados de 1847 e 1850, além de um Mapa Geral do Império do Brasil de 1851 (Villiers, s.p.). Composto por um grupo de empresários, engenheiros, e geógrafos, o atlas foi organizado pelo Visconde J. de Villiers de L’ile-Adam com o propósito de produzir representações da geografia física e político-administrativa do Brasil, solicitando apoio ao governo imperial para tal (Cargnin Gonçalves, p.108).
Os únicos originais do século XIX de que tenho conhecimento estão arquivadas na Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro e digitalizadas por essa instituição, sugerindo uma distribuição limitada do Atlas (o mapa do Instituto do Pará é uma cópia destas digitalizações, impressa em tela) (Villiers, s.p.). Dito isso, as legendas do Atlas parecem sugerir a existência de outras cópias, ao incluírem dados sobre sua impressão como se fosse dirigida a um público que não tivesse conhecimento da produção do mapa e para o qual era necessário explicar seus métodos (Ibid). A relativa dificuldade em localizar outras cópias sugere portanto uma circulação muito restrita ou uma produção muito limitada.
O Atlas foi impresso na capital, publicado no Rio de Janeiro pelos livreiros Garnier Irmãos na Rua do Ouvidor n069, e “gravada na lithografia imperial vr.Laree”, o que reitera a existência de uma colaboração governamental (Ibid). Devido aos próprios elementos do mapa, divididos em regiões eleitorais, judiciais, e administrativas (as cores indicam províncias e comarcas), a carta aparenta ter relações com um projeto de legibilidade, seguindo a definição de James Scott. A legibilidade é uma simplificação de uma realidade socioeconômica complexa em informações compreensíveis e acionáveis para um aparato institucional, tornando estas informações passíveis de direcionar políticas públicas – mas perdendo, no entanto, elementos importantes devido sua simplificação, o que pode impedir o sucesso de tais políticas (Scott, pp.2-5). A simplificação é necessária no ato de mapear. Um mapa não pode representar toda árvore, ou cada grão de areia. Os mapas, portanto, são constituídos a partir de um ato de selecionar informações, sejam elas topográficas ou demográficas, culturais ou até mesmo distorções de plano. Todas essas simplificações são fundamentalmente ficcionalizações da realidade a ser mapeada, e criam uma narrativa sobre ela, a partir de um juízo de valores sobre quais elementos serão inclusos e quais lugares, povos, e contextos serão silenciados. A narrativa sobre o Grão Pará e Alto Amazonas na Carta Topographica de 1850 é uma de negligência, desconhecimento, e reiteração de povoações coloniais extintas: um mapa repleto de silêncios.
Por um lado, a Carta referente ao Grão Pará está extremamente atualizada: O Alto Amazonas é descrito como província, de acordo com a Lei Geral N0582 de 5 de Setembro de 1850 – que “Eleva a Comarca do Alto Amazonas, na Provincia do Grão Pará, á cathegoria de Provincia, com a denominação de – Provincia do Amazonas” – no ano de publicação do mapa (“LEI Nº 582, DE 5 DE SETEMBRO DE 1850”). Isto nos permite datar o mapa à segunda metade do ano, após a promulgação da lei. No mapa, observam-se também diversos elementos espacializados: as cidades e capitais da província (juntamente), os limites das províncias e comarcas em diferentes cores, vilas, freguesias, capelas, sítios ou fazendas, limites do império, das províncias, e das comarcas.
Por outro lado, o mapa do Gram-Pará difere consideravelmente daqueles de outras regiões, carecendo de certas informações quando comparado aos mapas de São Paulo (que na época incluía o Paraná) e do Rio de Janeiro – os mais detalhados, em que inúmeros elementos topográficos e vilas preenchem cada canto do mapa (Villiers, s.p.). Nesse sentido, o mapa do Pará e Alto Amazonas se assemelha aos de outras regiões fronteiriças, como o mapa de São Pedro do Sul de 1947 e o do Matto Grosso também de 1850, que contém menos nomes de povoações e de acidentes geográficos, além de conter frases do cunho: “terrenos incultos e quase desconhecidos”, ou, no caso do Maranhão, “terrenos e fazendas effectos ao sustento do gado” (ibid). O documento em si já admite uma certa dúvida relativa aos elementos físicos do mapa, com a seguinte nota do autor: “NOTA: Sendo muito variáveis os dados geodésicos sobre esta província, não daremos escala pela graduação” (ibid). A falta de escala indica a ausência de informações detalhadas sobre a província na capital e o seu desconhecimento pelos supostos especialistas geógrafos e engenheiros.
Dentro da própria Carta em questão vemos diferenças de detalhamento, havendo mais elementos marcados na Comarca da Capital ao redor de Belém em comparação às outras comarcas do Gram Pará e a província do Alto Amazonas. Mesmo a decisão de unir duas províncias tão grandes em um mapa – a do Grão Pará com o Alto Amazonas – ilustra não só a escassez e lentidão de informações bem como a atitude de que toda a Amazônia brasileira não passava de um território controlado desde Belém. Ademais, o número de dados estatísticos listados na legenda do mapa amazônico é mais reduzido. Nem mesmo se distinguem as cidades e capitais provinciais no mapa do Pará e Amazonas, enquanto isso se faz até mesmo em mapas bastante lacunares do Atlas, como o do Piauhy (Villiers, s.p). Todos os mapas do Atlas contém extensas chaves, de duas colunas, com estatísticas, correções, e contextos (é o caso, aliás, de freguesia extintas, que são listadas no mapa de Goyaz, como por exemplo “A freg.a do Bom Jesus d’Anta he transferido a Sa, Rita…” e outras) ou ao menos um parágrafo sobre a província, como é o caso do Maranhão (que descreve o seu declínio), mas a Carta do Pará e Amazonas é a única a não ter nem um nem outro: só uma breve chave de uma coluna que já inclui as notas e os dados (Ibid). A Carta de Pernambuco, por exemplo, contém elementos espacializados e dados estatísticos que estão ausentes da Carta do Gram Pará e Alto Amazonas, como por exemplo: caminhos, número de habitantes, forças militares, valores comerciais de importação e exportação e número de escolas primárias (Cargnin Gonçalves, p.108). Tal ausência dos detalhes estatísticos demonstra uma falta de interesse ou uma falta de informações, apoiando a hipótese de que os autores do mapa não haviam visitando, e com certeza nem estudado a região de forma extensiva, seu recenseamento dificultado pela extensão das províncias e pelos conflitos com o poder imperial como a recente cabanagem. Outras idiossincrasias estão presentes. A Villa de Marajó é descrita como sendo “sem cazas nem habitantes”, mesmo estando marcada no mapa, e cercada de outras vilas presumidamente ocupadas (Villiers, s.p). Há elementos repetidos, como o Porto dos Mundurucus, que está localizado em ambos o Rio Sucundurí e o Rio Manhé-açu (Ibid). Os rios são importantes conectores, mapeados detalhadamente (na medida do possível), enquanto as margens e especialmente os interiores distantes das várzeas são grandes vazios, reiterando narrativas de terra nullius e o apagamento de comunidades indígenas. Essa falta de detalhes, idiossincrasias, e desinformações nos comprovam aquilo que a presença de Poiares já indicava fortemente: a difícil acessibilidade de informações, e uma possível negligência da região norte.
Portanto, devido à dificuldade e lentidão do acesso à informações sobre a região no centro do império, os autores provavelmente não tinham conhecimento da inexistência de Poiares. No entanto, caso os autores de fato soubessem do sumiço de Poiares, por quê teriam optado em mantê-la no mapa? Uma motivação seria negar o desaparecimento de uma vila outrora rica para evitar questionamentos sobre o controle do estado na região, e assegurar a soberania do Rio de Janeiro sobre o território Amazonense e sua população. Além disso, ocupar o mapa mesmo com topônimos datados dava a impressão, ainda que ilusória, que o governo central tinha maior conhecimento sócio-científico sobre a região. Implicitamente, se os sertões eram entendidos como espaços autóctones povoados por comunidades indígenas e autônomas locais, limitar esses espaços com a reiteração de espaços coloniais servia para negar essas alternativas de imaginar o território. Resistir ao máximo tais espaços “vazios”, tão prevalentes no interior do Alto Amazonas no mapa, não deixava de ser uma forma de remeter a um controle unânime exercido pelo Estado. Isso se tornava particularmente importante em um contexto de instabilidade política, tanto com a aderência tardia do Grão Pará à Independência Brasileira, como no contexto pós-Cabanagem, um movimento de revolta popular na região (1835-1840). Por fim, é possível que houvesse, fundamentalmente, uma inabilidade de compreender a mobilidade inerente às cidades amazônicas, conforme descritas por Heather Roller, em que populações e comunidades inteiras se mantinham apesar de se deslocarem ou se fixarem temporariamente, dependendo de incentivos de fuga ou de cooptação pelas autoridades regionais (Roller). Para aristocratas sem familiaridade com a região, se havia uma cidade em um mapa anterior, talvez fosse improvável conceber de sua desaparição, ainda que esta lógica não passasse de uma imposição de perspectiva: o sedentarismo como suposta norma “civilizacional”. Reitero que provavelmente os autores não tinham conhecimento do despovoamento e migração de Poiares. Dito isso, ainda que soubessem dele, talvez lhes parecesse conveniente manter Poiares no mapa, seja de forma ativa e consciente para os expedientes descritos acima, ou de forma passiva, implícita na lógica sócio-cultural e burocrática-imperial em que estavam inscritos.
Esta breve investigação da Carta Topographica demonstra diversos elementos da história amazônica e imperial, bem como a subjetividade da cartografia. Ela reitera, como já o fizeram vários autores (inclusive na nossa conferência) que a cartografia do século XIX não pode ser facilmente categorizada como “científica” e “racional”, mas, ao contrário, ocupa um espaço de ficcionalização, imaginação, artificialidade, e crucialmente, a projeção de desejos (políticos, administrativos, econômicos, demográficos…) bem como o fazia a mais obviamente ornamentada cartografia da primeira modernidade. Esta percepção nos permite desconstruir o olhar da capital – com suas noções de estabilidade e fixação de povoações, de desconhecimento e negligência, – sobre a Amazônia que permeia o mapa.
Todo mapa é construído a partir da simplificação de uma realidade complexa em hierarquias de valor sobre os elementos a serem descritos. Com isso, a complexa história de Poiares é resumida com um ponto e uma cruz no mapa, que indicam a suposta presença de uma freguesia ausente. Mas Poiares foi muito mais do que os bispos que relataram a sua ruína ou o mapa que a ressuscitou no papel. Poiares foi uma freguesia setecentista próspera, mas de conflitos com autoridades regionais; se tornou também uma vila oitocentista em ruínas, mas cujo abandono não deixa de ser um símbolo de resistência contra as condições de vida coloniais. Para L´lle-Adam, pode ter sido apenas um ponto em um documento antigo que ele reiterou acidentalmente – ou talvez uma freguesia morta que ele deliberadamente manteve em sua representação cartográfica. Mas para os habitantes de Tauapessassu, em suas primeiras décadas, Poiares foi um apelo à unidade em meio a um grande movimento de migração, dando nome a sua nova vila. E a nova Poiares, Tauapessassu, seguiu a reputação “rebelde”: “aderiu à Cabanagem e também foi palco de sangrentos embates: lá, os cabanos foram derrotados pelas tropas de Miguel Nunes Benfica, em 1836.” (Sampaio, p.97). Como ilustra a Carta de 1850, e a presença de Poiares, o território sempre será muito mais do que o mapa.
Bibliografia:
Roller, Heather Amazonian Routes: Indigenous Mobility and Colonial Communities in Northern Brazil (Stanford University Press, 2014)
Stoler, Ann. Along the Archival Grain: Epistemic Anxieties and Colonial Common Sense (Princeton, 2008).
Scott, James. Seeing Like a State: How Certain Schemes to Improve the Human Condition Have Failed (New Haven, 2020 [1998]).
Sampaio, Patrícia. ‘Cidades Desaparecidas na Amazônia Portuguesa: Poiares, Séculos XVII-XIX’ História Social 10 (2003), pp.73-100/.
Visconde J. de Villiers de L’Ile-Adam, Cartas topographicas e administrativas das provincias do Brasil [1852] Biblioteca Nacional RJ https://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_cartografia/cart67925/cart67925.htm
Lei Geral N0582 de 5 de Setembro de 1850 https://www2.camara.leg.br/legin/fed/leimp/1824-1899/lei-582-5-setembro-1850-559821-publicacaooriginal-82232-pl.html
Monteiro, Fábio. ‘Picote e Filigrana: Filatelia com texto e contexto’. Blog.
Andréa Doré e Junia Ferreira Furtado (Orgs), História do brasil em 25 mapas (São Paulo, Companhia das Letras / Ed. Schwarcz S.A., 2022). Print.
BEIER, J. R. Artefatos de poder: Daniel Pedro Müller, a Assembleia Legislativa e a construção territorial da província de São Paulo (1835-1849). 375 f. 2015. Tese (Doutorado em História Social) – Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, Universidade de São Paulo. São Paulo, 2015.
Cargnin Gonçalves, Tiago “A urbanização pernambucana na primeira metade do século XIX: as redes político-administrativa, judiciária e eclesiástica de núcleos urbanos’ em Fania Friedman e Carlos H. C. Ferreira (orgs), Urbanizações Brasileiras 1800-1850, (Rio de Janeiro, 2023), pp.106-126.
Ketabi, Salomé. “From Natural History to Post-Revolutionary Politics? A Scientific Expedition for the New Republic of Bolivia (1830-1833)”. Paper given in the panel, “Nnatural History in the Americas” for the Natural History in the Age of Revolutions Conference, July 15th 2024, Linnean Society of London.
